'FESTAS DE LISBOA 2007'
Festas Populares de Santo António
(Segunda, 12 de Junho à noite, em Lisboa)
Manifestação de unidade e identidade cultural o evento ‘Festas de Lisboa’ centra-se nos festejos tradicionais de Santo António, nas marchas populares e arraiais de bairro em que se dinamizam espaços e agentes culturais, se valoriza o património e onde participam as forças vivas da cidade de Lisboa, num movimento de rara dimensão.Desde 1932 que os lisboetas sentem a cidade como um palco. Setenta e cinco anos de marchas e arraiais populares em que a cor e as sonoridades de cada um dos bairros se misturam com o cheiro de festa: Marvila, Bairro Alto, Benfica, Olivais, Castelo, Alfama, Campolide, Madragoa, Mouraria, Carnide, Alcântara, Campo de Ourique, Graça, Ajuda, Bica, São Vivente e Penha de França.
O site holandês Local Festivities (informação independente sobre festivais europeus segundo critérios de dimensão, continuidade, originalidade, gestão organizativa e divertimento) inclui as ‘Festas de Lisboa’ no 'Top 50 Europe's Best Local Festivites 2006'.
Marchas Populares, Bailes Populares, Arcos e Balões, Manjericos, Caldo Verde, Sardinha Assada, Broa e Vinho Tinto.
2 comentários:
MÚSICA, EXPERIÊNCIAS E FILAS, MUITAS FILAS
Cerca de 35 mil pessoas invadiram sábado o Parque da Bela Vista para uma maratona de música e atracções paralelas. As filas e o som deficiente não atormentaram quem se deixou levar pela música e circulou entre palcos e atracções diversas. No palco, no cimo da encosta, os WhoMadeWho envergam asas e divertem o público com um som entre a dança e o rock. As filas para beber, menos, e para comer, mais, são intermináveis. Uma menina de sorriso aberto mistura-se com o público oferecendo desodorizantes. Na zona reggae cheira bem. Sons vindos dos mais diversos espaços atropelam-se. O verde do solo foi substituído pelo amarelado da poeira. Na tenda VIP as very important people tratam de assuntos importantes, como comer e beber. Um dia de festival na Bela Vista, desta vez não foi o ‘Rock In Rio’, apesar de muitas estruturas serem semelhantes. Foi uma espécie de ‘Dança In Rio’, chamada Creamfields Lisboa.
A organização esteve longe de ser perfeita - escassa oferta de restauração para tanta gente e som deficiente são algumas das lacunas - mas também é verdade que ninguém se pareceu importunar realmente com o sucedido.
O resto foi o que se esperava, seis áreas de música e imensas distracções, numa lógica em que se promete diversidade e singularidade nas ofertas de lazer para, feito o balanço, se concluir que, afinal, a especificidade é a mesma de outros eventos com estas características.
As campanhas publicitárias por todo o lado e a multiplicação de gente envergando gadgets à medida que as horas passam. As tribos urbanas que se distribuem em caos organizado pelos diversos centros de acção: as rastas dos neo-hippies que dominam a tenda reggae, os muitos adolescentes que surgem de todo o lado, excitadíssimos com a liberdade de um dia passado num imenso parque de diversões, os melómanos de festival que enchem o espaço frente ao palco principal. É nisto que o Creamfields Lisboa nada difere dos demais.
Quanto à sua especificidade, estava bem visível a quem, no ponto mais alto do Parque da Bela Vista, lançasse o olhar sobre todo o recinto: destacavam-se as tendas em forma de esfera e as longas filas para nelas entrar (formadas no minuto seguinte à abertura de portas, mantiveram-se longas até de madrugada).
Entre a visita rápida a um dos palcos e a compra de uma bebida, faziam-se contas ao tempo de espera para entrar na ‘ilha’ com palmeiras de plástico e piscina, na esfera gigante com raios laser e techno no volume máximo ou na muito concorrida tenda onde o silêncio imperava mas em que todos dançavam - só com os headphones disponibilizados à entrada se poderia sintonizar a música passada pelos DJs.
No fundo, como que uma variante, mais exuberante e excêntrica, de uma saída nocturna - pelo menos, na parte do esperar pacientemente até o porteiro dar ordem de entrada na discoteca. A diferença era não haver o habitual estágio noctívago num bar conhecido.
Afinal, estávamos num festival e, no Creamfields Lisboa, houve concertos a toda a hora e em todo o lado. Por mais que muito público referisse estar ali pelo ‘ambiente’ ou pela ‘experiência’, são os concertos que, em retrospectiva, farão a memória do festival.
Veemência e dinamismo, mas sustentados por ideias válidas, foi aquilo que os ingleses Spektrum e, principalmente, os belgas Soulwax mostraram num dos palcos secundários. O funk dissonante misturado com rock de ‘Fun At The Gymkhana Club’, o segundo álbum dos Spektrum, esteve em evidência no seu concerto, enquanto os Soulwax foram simplesmente imparáveis, sucessão alucinante de ritmos resgatados a ‘Nite Versions’, um álbum de música de dança contaminado pelos ímpetos do rock.
Foi nesse mesmo palco, um dos secundários, que o Creamfields Lisboa teve, musicalmente, os seus melhores momentos. Foi aqui que os WhoMadeWho, desta vez com asas de anjo, fizeram da actuação um excitante encontro entre a energia do rock, o groove do funk e a dinâmica de um DJ set. Habitués dos palcos portugueses, acabaram o concerto sob forte ovação e foram das poucas bandas a regressar para encore.
Embriagado de som, luz e tudo o resto, o público continuou noite dentro a deambular de palco em palco, de fila para tenda em fila para tenda. Quando o sol começava a nascer, ainda havia quem dançasse no Parque da Bela Vista.
In ‘Público’
Uau! Que "movida"!
Enviar um comentário