22.4.08

Filme - Concerto
'RADIO SOULWAX PRESENTS…'
'Part of the Week-End Never Dies'
Antestreia do documentário no Cinema São Jorge às 22h00
'Soulwax Nite Versions'
Concerto no ‘Lux’ às 00h00
Quinta, 08 de Maio

Os Soulwax são o quarteto de electro/rock liderado pelos irmãos belgas Dewaele (David na guitarra e Stephen na voz, ambos elementos da dupla 2manydjs), autores do álbum 'Any Minute Now' (2004), que apresenta um som electroclash/bastard pop com múltiplas referências históricas.
'Part of the Week-End Never Dies' é um documentário realizado por Saam Farahmand e Soulwax, com imagens de 120 concertos dos Soulwax em todo o mundo, recolhidas com uma única câmara e com material não-editado e entrevistas. 'Soulwax Nite Versions' é um concerto ao vivo com temas originais dos Soulwax e de versões de temas de outras bandas.
Bilhetes à venda na 'Flur' (Santa Apolónia) e 'Loja d’Atalaia' (Bairro Alto)
"'Part of The Weekend Never Dies' é um filme que vai deixar muita gente boquiaberta. O primeiro 'ravementary' da história do cinema? 'Soulwax Nite Versions' é uma noite que, no mínimo, promete ser histórica."
Luxmail

1 comentário:

Carlos Reis disse...

'NO JORNALISMO, AS BOAS IDEIAS SÃO O PÚBLICO’

Entrevista de Jeff Jarvis (professor da CUNY Graduate School of Journalism e colunista do ‘The Guardian’) ao ‘Público’ por Pedro Ribeiro e João Pedro Pereira

A imprensa está em crise: receitas publicitárias em quebra, vendas a descer, fuga de leitores para a Internet. Mas há quem veja no estado actual do jornalismo uma oportunidade. Jeff Jarvis é uma dessas pessoas; foi jornalista, hoje é autor do influente blogue ‘BuzzMachine’ e um dos especialistas mais importantes nos EUA sobre a evolução da Internet.

Acha que os jornais e a imprensa radiofónica e televisiva vão acabar, ou é própria profissão de jornalista que está em risco?

Na verdade, sinto-me muito optimista sobre o jornalismo. Acho que há grandes oportunidades de crescimento, se redefinirmos as notícias e o jornalismo em termos latos. As estruturas anteriores do jornalismo dependiam dos meios de produção – a imprensa, a torre de emissões. Isso ditava os meios de distribuição e tudo o resto, mas não era isso que definia o jornalismo. O jornalismo é pessoas à procura de coisas que precisam de saber. Acredito que há oportunidades para o jornalismo colaborativo, com mais pessoas envolvidas.

Está a falar dos cidadãos-jornalistas?

Sim. Aí chega-se à pergunta: o que é o jornalismo, quem é um jornalista? Acho que é um erro definir o jornalismo com base em quem o pratica. Há pessoas que podem fazer um acto de jornalismo uma única vez na vida. Por exemplo, alguém que no tsunami no Sudeste asiático tirou uma foto do que se estava a passar, isso foi um acto de jornalismo.
O papel do jornalista muda. Temos mais gente a fazer jornalismo, isso pode ser confuso; há um papel para os jornalistas, que é editar, gerir 'curate', talvez até ser educadores, ajudar as pessoas a fazer jornalismo melhor. A ideia de que as instituições são donas do jornalismo, isso vai acabar. Mas não quer dizer que vá acabar o jornalismo.

E para que servirão então os jornalistas?

Há a recolha e a distribuição de notícias. Sempre fomos atrás da testemunha ou do perito para saber o que se passa; agora, a testemunha ou o perito podem expressar-se eles próprios. Já não somos os únicos a recolher informação. Mas há cada vez mais um papel para... Eu uso a palavra inglesa 'curate', termo para os responsáveis pela gestão de museus ou outras instituições, ou para o trabalho do comissário de uma exposição, que parece o trabalho de um bibliotecário...

A sua ideia para o 'The New York Times' era acabar com as secções de desporto e local, focar-se no noticiário nacional e internacional.

Não digo para fecharem o local e o desporto, digo que deviam ser negócios separados.

Mas isso não ia dar cabo da personalidade do 'The New York Times'? Deixava de ser um jornal de Nova Iorque.

Os nova-iorquinos não o compram. As vendas em Nova Iorque são péssimas. Ora, é o 'The New York Times' uma influência jornalística importante sobre a comunidade? Sim. Mas tem de se adaptar uma realidade económica.
Várias gerações de editores do 'Los Angeles Times' orgulhavam-se de escrever todos os artigos com a sua própria equipa, e cobrir todo o mundo assim. Mas qual é o valor disso? O valor de uma assinatura é muito limitado. Nem a minha mãe repara na assinatura dos artigos que eu escrevo. O que interessa é o conteúdo.
O Ken Auletta, jornalista da 'The New Yorker' dizia-me: não é bom que o 'Los Angeles Times', como portal para a Ásia, tenha um correspondente na Ásia? E eu respondi, pois, é bom. Mas, por outro lado, para que serve ter uma única pessoa para um continente inteiro? É quase absurdo.
O 'The New York Times', numa altura de cortes, substituiu esse posto por dois jornalistas poliglotas na sua redacção de Nova Iorque. Se tivesse duas pessoas em Los Angeles a ler e sumariar os media asiáticos, e a fazer um relato diário sobre tudo o que se passa – o que era melhor, isso ou um correspondente?

Aí não é um trabalho original. Está a confiar no trabalho dos outros.

O trabalho do correspondente na Ásia também não é original; ele também tem de recorrer essencialmente aos media locais.

Tem falado muito na necessidade da hiperlocalização do jornalismo; que os jornais devem cobrir noticias locais, e fazer links para o resto. Isso funciona fora dos EUA?

Essa pergunta é crucial. Acho que não, acho que é um fenómeno muito americano, porque somos um país tão grande e temos mercados de monopólio. Em cidades como Cleveland ou Cincinnatti, havia um único jornal para o mercado. Isso resultava num panorama muito repetitivo.
O que está a acontecer agora nos EUA é, por exemplo, muitos jornais estarem a perder os seus críticos de cinema. Os filmes são um fenomeno nacional; a opinião em Cleveland não é diferente da de Cincinatti. Por isso, na altura de fazer cortes, os jornais estão a despedir os críticos, para se focarem no que lhes é específico – o noticiário local. Não acho que isso seja mau.
Em outras partes do mundo, há marcas fortes a nível nacional. Uma marca nacional forte como a vossa não tem esses desperdicios de que se livrar para poupar dinheiro. O 'Cleveland Plain Dealer' ou o 'Cincinnatti Inquirer' podem cortar esses extras. A minha esperança é que na ecologia de links na Web, a investigação jornalística original ganhe espaço e se destaque. Acho que ainda não chegámos a esse ponto

Estas mudanças que propõe conduzem a um jornalismo melhor, ou são simplesmente algo de inevitável que o jornalismo tem de fazer para sobreviver?

É porque acho que vão fazer o jornalismo melhor. Temos de fazer experiências. Há oportunidades para fazer mais jornalismo que nunca. Dou-lhe um exemplo do “hiperlocal” : se mandarmos alguém com um 'iPod' gravar todas as reuniões do governo municipal de Boston, e tivermos alguém a editar essas gravações online, isso seria uma cobertura melhor da política local do que se pode fazer actualmente com 10 repórteres.
Em New Jersey há 400 cidades, há 800 comissões de administração escolar, há 400 comissões de planeamento, etc. Se mobilizaremos o público para as cobrir a todas, isso é poderoso. Mas quem é que vai ouvir isso tudo? Bem, alguém há-de ouvir pelo menos partes, e daí há-de resultar alguma coisa.

Coloca-se um problema de qualidade. Ter um 'iPod' ou um telemóvel com câmara não garante que se esteja a fazer jornalismo, muito menos bom jornalismo.

Se dividir o jornalismo em partes, uma delas é a recolha de informação. Acho que quase toda a gente pode gravar alguma coisa. Pode não ser capaz de descobrir o lede, de encontrar a essência, de condensar a informação, mas consegue gravar a informação.

Pode gravar as respostas. Mas pode não saber fazer as perguntas.

Os bons jornalistas que eu conheço estão a usar a Internet para perguntar aos leitores quais são as perguntas que eles devem fazer. Isso é bom jornalismo - saber usar as ferramentas com bom senso.

Está a confiar na sabedoria das multidões. Mas o sistema pode ser viciado. Na Internet, as pessoas podem usar o anonimato para dizer bem de si próprias ou mal dos seus inimigos. Neste modelo, em que se confia na comunidade, os mais activos não serão aqueles que têm interesses políticos ou financeiros?

Como quase todos os jornalistas que eu conheço, você olha primeiro para o que pode correr mal! Sim, esses riscos são reais. Mas não anulam as potencialidades destas novas oportunidades.
Por exemplo: as discussões em fóruns online. Encontra-se lá os piores idiotas a tomar conta de discussões. O que muitos sites fazem, eu próprio já o fiz, é passar o tempo a deitar abaixo os maluquinhos. Num modelo de selecção, escolhe-se o melhor em vez de liquidar o pior.
As pessoas vão abusar de qualquer tecnologia. Abusaram dos telefones, dos faxes, da imprensa. Mas a maioria vai querer usá-la bem. Aprendi com a Internet a ter uma fé inerente nas pessoas.

A Internet está cheia de trolls (vândalos)...

Acha que a maioria das pessoas são trolls? Ou será que os trolls apenas se fazem ouvir melhor?

A Internet ajuda a transformar as pessoas em trolls. Sob a capa do anonimato, na Web, as pessoas escrevem e fazem coisas que não se atreveriam a fazer offline...

Isso são desculpas. Estou em Portugal. Aqui ninguém sabe quem eu sou. Podia andar nu pelo meio da rua e ninguém dava por isso na minha terra. Podia fazer isso, mas não estou a fazê-lo – porque tenho uma consciência, e escrúpulos...

Nos dias de hoje, é bem provável que alguém reconhecesse a foto do seu blogue, o filmasse e metesse o vídeo no 'YouTube'...

Bom, imaginemos que eu não tinha um blogue. Podia-me portar mal, mas não o faria.

Está então a confiar que as pessoas são essencialmente boas.

Pode crer! Se não acreditasse nisso, não acreditava na democracia, nem na economia de mercado, nem no ensino, nem na religião organizada. Aprendi isso com a Web.
Fui crítico de TV na revista People nos anos 80. Foi a era em que o controlo remoto atingiu metade das casas americanas. Passou a haver controlo remoto, videogravador, TV cabo. Passou a haver muitas escolhas. Fui a um programa a falar sobre audiências televisivas defender que este fenómeno era bom, e um produtor disse-me: "Você está a defender os gostos do povo americano". E eu fiquei horrorizado! Foi um momento de transformação para mim. Percebi que, se dermos escolhas às pessoas, no longo prazo – no curto prazo, nem sempre – as coisas boas vão sobreviver.
É esse o motivo pelo qual os livros clássicos sobrevivem. A Internet é uma extensão disso. Com mais escolhas, mais controlo nas mãos das pessoas, o que é melhor virá à tona. Se não acredita nisto, tem de optar por uma ditadura – de decidir que alguém mais inteligente que você é que tem de decidir por si. Mais vozes é melhor para a democracia que menos vozes.

Mas, por exemplo, os prémios 'Pulitzer' estão cada vez mais concentrados. Há cada vez menos jornais capazes de fazer jornalismo ao nível do 'Pulitzer'.

Tem razão. Os jornais estão cada vez menos empenhados em bom jornalismo e isso é mau para a sociedade. Tem que ser assim? Penso que não. Os jornalistas vão perceber que o seu grande valor é fazer bom jornalismo, e vão aplicar mais recursos a fazer jornalismo de qualidade.
Os jornais costumavam fazer longas séries de artigos de investigação, que acabavam por não servir a comunidade, acabavam por não ajudar as pessoas. Mas tinham sido pensados para ganhar um 'Pulitzer'. Esse é um problema de ego dos editores nos jornais. Os 'Pulitzers' distinguem aquilo que inquestionavelmente tem qualidade, não acho que os 'Pulitzers' sejam maus. Mas muitas vezes as pessoas aplicam os recursos apenas para se exibirem no sector.

Todos os jornalistas querem ser Woodward and Bernstein, os repórteres do caso Watergate...

Isso é bom. Woodward and Bernstein são bons exemplos. Mas já vi muitos jornais fazerem más paródias de jornalismo de investigação. A história de: “Vamos seguir o percurso da droga desde a Turquia até aos EUA”. Já vi isso ser feito dezenas de vezes, porque acham que é jornalismo de investigação. Mas isso não é o que afecta a comunidade onde os jornais se inserem. Não é isso que afecta a vida das pessoas.

Os jornalistas têm a mania que sabem o que os leitores querem...

Sim. Mas não estou sugerir que se transforme isto decidir o que se publica numa votação dos leitores, chegaríamos ao absurdo muito rapidamente. Mas não será possível usar mais mecanismos para que as pessoas nos digam aquilo que gostariam que nós fizéssemos?
Imagine que você põe uma fotografia sua no jornal e pergunta: “O que hei-de fazer amanhã?”. Os leitores podem dizer-lhe para fazer coisas ridículas ou dizer-lhe para estar sempre a fazer a mesma coisa.
Mas se disser “dêem-me as vossas ideias sobre o que gostavam que eu fizesse amanhã”, aposto que vai descobrir uma ideia nova em que ainda não tinha pensado. O que acontece é que as más ideias caem. É a sabedoria das multidões. Se tivermos uma boa comunidade, as boas ideias vão surgir. Dêem uma oportunidade às pessoas.

Mas qual é o mecanismo a usar? Os jornais já usam focus groups...

Certo. E os focus groups são a pior coisa do mundo.

Há outros mecanismos, como as listas dos artigos mais vistos ou mais comentados. O escritor Nicholas Carr diz que, na Internet, cada notícia vale por si, e as notícias que atraem publicidade financiam as outras. Isso não é um risco, que o investimento seja feito sobretudo nas notícias que dão publicidade.

A marca ainda vale alguma coisa. Fui consultor da About.com. A 'About' não é jornalismo noticioso, é jornalismo de serviço, diz às pessoas como comprar uma casa e esse tipo de coisas. O site da 'About' está muito construído em torno da optimização para motores de busca. São brilhantes nisso. Sabem como colocar um artigo no topo dos resultados do 'Google'. E os autores são compensados com base no número de visitantes.
Um especialista em finanças pessoais da About escreveu um artigo sobre as finanças da Paris Hilton. Era uma forma simples de conseguir tráfego. A 'About' disse-lhe para não fazer isso. Porquê? Porque ia afectar a reputação a longo prazo. As pessoas ainda procuram jornalismo. E o público ia abandoná-los se ele continuasse a fazer aquilo.

Os truques para conseguir melhor posicionamento nos motores de busca podem ser prejudiciais ao jornalismo?

Há umas semanas – ainda não escrevi sobre isto no blogue – ouvi um podcast em que os autores defenderam que o marketing é uma responsabilidade do jornalista.

Isso seria muito mal aceite em Portugal...

Escrever títulos é marketing. Há técnicas. Dois exemplos: quando se tem uma boa citação, deve-se ir à 'Wikipedia' e inserir essa citação. E quando se escreve sobre alguém que tem um blogue... Será legítimo pedir a essa pessoa que faça um link para o artigo?
O 'The New York Times' re-escreve os títulos para que sejam encontrados pelos motores de busca. Isso não é necessariamente mau. Mas é uma forma de marketing. Outra coisa que fazem é ver quais os temas mais procurados e escrever um artigo sobre isso. Por um lado, isso parece mau. por outro, se as pessoas têm uma questão, querem uma resposta.

Vai lançar um livro chamado 'What Would Google Do?'. Sobre que é?

Começou com uma ideia no meu blogue. A ideia é que o 'Google' tem sido bem sucedido e por isso vale a pena perceber porque foi bem sucedido e ver se é possível aplicar essas estratégias a outras companhias, instituições, indústrias, carreiras. É claro que nem sempre são aplicáveis. Admito que o título do livro é um pouco para chamar a atenção.
O melhor exemplo que encontro é o caso Yahoo vs. Google. O Yahoo é a última empresa dos velhos media. Está construído sobre um modelo antiquado dos media: controlam o conteúdo e aplicam técnicas de marketing para atrair as pessoas.
Já o 'Google', é distribuído. Não lhe interessa onde está. Está em toda a Internet. Quando eu ponho anúncios do 'Google' no meu blogue, sou parte do 'Google'. O 'Google' desmantelou-se a si próprio. Isso é inteligente. E acho que é uma das lições que as empresas podem seguir. Vou pegar nessas várias lições e tentar aplicá-las a muitas indústrias. Há algum tempo escrevi um post sobre como seria uma companhia aérea da 'Google'. Seria melhor do que qualquer companhia que temos hoje.

É uma visão do 'Google' não como uns tipos que tiveram sorte com uns algorítmos, mas como uma cultura...

Eu vejo uma cultura. E também vejo uma interpretação de como a Internet está a mudar. O livro é tanto sobre a Internet como sobre o 'Google'.

O 'Google' não produz conteúdo. Só ajuda a organizar e encontrar. O que é que isso diz do século XXI, quando o grande negócio não é criar conteúdo, mas organizá-lo?

Primeiro, se alguém cria conteúdo, deve ficar grato ao 'Google' por mandar pessoas até esse conteúdo. A 'About' recebe 80 por cento do tráfego a partir do 'Google' e metade da publicidade vem do 'Google'. Mais valia ser uma divisão do 'Google'. Mas, em vez disso, construíram uma plataforma em cima do 'Google'.

Muitos jornais acham que o 'Google' lhes está a roubar o conteúdo...

Sim, sobretudo na Europa. Acho que estão a ser loucos! É como gritar com o dono do quiosque – como se atreve a ganhar dinheiro a vender o meu jornal!?! Se não se tem distribuição, não se vai a lado nenhum. Os jornais dependem dessa distribuição. O 'Google' é o novo quiosque.

Mas o quiosque dá parte dos lucros aos jornais. Acho que é isso que eles reivindicam do 'Google'.

A Google manda-lhe um link em troca, manda-lhe audiência. A responsabilidade de servir bem o leitor continua a ser dos jornais.

Acha que, se a Microsoft comprar o 'Yahoo', consegue ser um rival à altura do 'Google'?

Eles estão a usar um modelo dos velhos media. Acham que podem comprar a audiência. Uma das frases preferidas do 'Yahoo' é: “Temos uma mangueira. Ligamos a mangueira e mandamos muito tráfego”. Isso acontece uma vez. Se o conteúdo não for bom, ninguém vai ficar.
O 'Yahoo' é usado por muitas pessoas. Mas não é dono dessa audiência. Se alguém comprar um jornal por dia, é bom que compre o vosso. Mas, online, é bom fazer parte da conversa, ter pessoas a criar links. É uma arquitectura diferente. O 'Yahoo' e a 'AOL' têm algumas coisas giras. Acho que devem tornar tudo o que têm exportável. O que eles dizem é: venham até nós e fiquem. Isso é muito caro.

As redes sociais online, como o 'Hi5' ou o 'Facebook', fazem precisamente isso...

Exacto. E acho que isso é uma fraqueza. A Internet já é uma rede social. O vencedor é quem a souber organizar.

O que irá acontecer nos próximos dois ou três anos, vão restar duas ou três redes sociais dominantes, e as outras desaparecem?

Bem, já sabem que eu consigo inventar umas tretas para responder a qualquer coisa... Agora, nem eu me atrevo a prever o que vai acontecer daqui a dois ou três anos. Há uns tempos convidaram-me para escrever um texto sobre como vai ser o jornalismo em 2020. E eu pus-me a pensar, onde é que estávamos há doze anos? Pense nas mudanças incriveis nessa dúzia de anos!


CR