20.12.07

'GRIP LIKE A VICE'
The Go! Team



'DOING IT RIGHT'
The Go! Team

1 comentário:

Carlos Reis disse...

THE GO! TEAM EM LISBOA

"A plateia do 'Lux' era um espelho do que se viria a passar em palco, das 23h30 em diante: feminina não em exclusividade mas em simpática predominância; despreocupadamente elegante e com um pé no passado e outro no futuro. As roupas e penteados resgatados aos anos 80, com os ‘leggings’ fluorescentes e as franjas a repetirem-se de espectadora em espectadora.

Em palco, estão seis músicos que mudam de instrumento de canção para canção, com cada um dos multi-instrumentistas a experimentar várias posições e funções ao longo do concerto. A disposição, essa, é que não muda, e é de uma alegria que só faz sentido se lhe juntarmos o predicado ‘contagiante’.

Para garantir que ninguém fica de fora deste festim soul/hip-hop/power pop e controlar os passos de dança do público, MC Ninja assume, quase em full-time, o papel de líder. De mini-saia e top branco, a londrina, que é filha de pai nigeriano e mãe egípcia, tem ainda umas meias pelo joelho e uma energia sobre-humana. Diz a sua biografia que o pai – advogado – e a mãe – médica – não admitiam que a filha escolhesse para si outro ofício que não um destes (ou o da Contabilidade). A avaliar pela entrega de MC Ninja em palco (cruzamento de chefe de claque com dançarina zulu), o desgosto que terá dado aos pais não parece pesar-lhe nos ombros.

’The Power Is On’, do primeiro álbum, ‘Thunder, Lightning, Strike’ , abriu o espectáculo, com a voz de MC Ninja ainda algo abafada pelos instrumentos – guitarra, baixo, bateria e teclas. Ao longo de pouco mais de uma hora, outros apetrechos – como uma flauta que parecia saída de uma aula de música do ciclo, um megafone de criança, pandeiretas em forma de estrela ou a velha harmónica – passaram pelas mãos de Ian Parton, Chi Fukami Taylor, Kaori Tsuchida, Jamie Bell e Sam Dook. Já o aparato de sopros e samples que anima os dois álbuns dos Go! Team chegou a Lisboa compreensivelmente pré-gravado.

A pouca nitidez com que a voz de MC Ninja chegava à plateia, em comparação com a robustez das guitarras e da percussão, fez com que os primeiros temas do concerto ficassem algo aquém do esperado, em termos de participação popular. Nada a que a cantora não conseguisse dar a volta, continuando a debitar as letras no seu estilo aguerrido, entre a declamação ‘rappada’ e a cantoria estridente, e envolvendo o público em vários jogos e ‘competições’, desde decorar letras (em ‘Huddle Formation’, perto do fim) a vencer os ‘vizinhos’ no pezinho de dança.

A euforia que os Go! Team traziam em mente foi-se, assim, alastrando pela plateia, com o som caótico mas melodioso dos ingleses a acender o rastilho da festa aos primeiros segundos de cada canção. Foi assim com ‘Panther Dash’, ‘Grip Like A Vice’ - single do mais recente ‘Proof of Youth’ que, pela recepção do público, terá sido a responsável por muitos bilhetes comprados – ‘Ladyflash’ ou, quase a fechar, a esperada ‘Doing It Right’.

Na despedida, MC Ninja, que apesar do contributo de todos os ‘camaradas’ acaba por ser a porta-voz e relações públicas dos Go! Team, fez questão de ficar em palco a bater palmas ao público, retribuindo a ovação. Portugal fez mais uma amiga."

in 'Blitz'


CR